Estamos as voltas com o retorno do Fenômeno aos gramados na sua despedida da seleção brasileira. Apenas quinze minutos que sejam, ver Ronaldo em campo é sempre uma grande emoção. E esse sentimento sempre colabora para a certeza de que o gordinho é mesmo um cara único no futebol. Existe uma aura que envolve a sua pessoa. A coisa funciona mais ou menos assim: Aquilo que o dentuço toca vira ouro. É o Midas do futebol. Para se ter uma ideia o gordinho mal entrou no mundo do marketing de imagem no esporte, abriu sua agência e já pegou as contas dos maiores talentos da próxima geração do nosso futebol: Neymar, Ganso e o Marcelinho do São Paulo (Traíra que virou casaca por um prato de camarão e uma calça jeans, não merece ser chamado por nome de santo).
O R9, como ele gosta de ser chamado, chegou no Corinthians duplamente desacreditado. No ano anterior o cara conseguiu arrebentar um dos joelhos (nem lembro qual deles de tantas vezes que já estouraram) e ainda ser pego no flagra em atividades sexuais altamente polêmicas. Nem precisa lembrar o falo, quer dizer… O fato. Como tudo que envolve o magnetismo da marca Ronaldo, a coisa tomou proporções gigantescas e a notícia correu o mundo. Para muita gente, parecia que “o cara” tinha chegado no fundo do poço.
De fato ele se apresentou gordo, meio “por fora” e, ainda por cima, num clube de São Paulo. Estava longe da sua praia, sem muita empatia com a torcida, meio sem saber se aquela era sua casa ou não (muito parecido com a apresentação do Adriano semanas atrás). O carinho da torcida foi fundamental, segundo ele próprio. O fato da galera não deixá-lo em paz nem um minuto fez ele entender e corresponder à altura. Ronaldo entrou no clima: treinou, perdeu peso, não deu (muitas) desculpas até que entrou em campo e aí ele arrebentou.
Era uma média de 2 canetas por jogo na zagueirada meia boca que encontrou pela frente. E, por um bom tempo, Ronaldo em campo foi sinônimo de 1 gol por jogo, ou quase isso. Em 6 meses de futebol jogando a 70% da sua capacidade, ganhou os 2 títulos que disputou. Esse é o tamanho do futebol do cara. Ele calou a boca de muitos jornalistazinhos sem vergonha que só não considero mais fanfarrões que o Chico Lang porque este é de um folclore insuperável. Tem um carisma que esses outros jornalistas de clube não possuem por se levarem a sério demais.
É verdade que “o cara” jogou bola apenas enquanto quis e depois se deixou levar pelas excentricidades e prazeres que circundam todo milionário como ele. O cara se encostou e ficou jogando com o nome até o fim melancólico da sua passagem pelo Timão, no início deste ano. Entre contusões, eliminações e má forma física, deu no que deu. A torcida perdeu a paciência e ele teve que pedir penico. Não estava a fim de emagrecer e ser atleta de novo. Não tem hipertireoidismo que justificasse sua aposentadoria precoce (34 anos) mais do que os R$ 500 milhões de patrimônio que ele tem a sua disposição para gastar com muito afinco até o resto da sua vida. Tá certo! Foi merecido! O cara foi ídolo do planeta inteiro por mais de 10 anos. Merece estar podre de rico e desfrutar sua aposentadoria. A pergunta é: Qual foi o saldo da sua contratação para o Corinthians?
A presença do Ronaldo no time quadriplicou o que o clube arrecadava em patrocínios. É muita grana. Ainda hoje, sem ele, o clube amplia receitas. Foi uma mudança fenomenal. A impressão que fica é que o Corinthians nunca mais será mal pago pela sua marca, que se deu conta do seu verdadeiro valor, coisa que não acontecia em outras administrações. Isso, por outro lado, coloca maior pressão sobre os atuais diretores. Muito dinheiro quer dizer menos desculpas, mais capacidade de fazer bons investimentos. Possibilidade de melhorias nas categorias de base (que são outra fábrica de dinheiro igualmente poderosa. O tema vem sendo debatido aqui no BT), melhor estruturação do clube (Social e Profissional), etc.
E ai? Como serão os próximos anos com um Corinthians rico e poderoso? Teremos tudo que o clube merece? CT completo e pago? O tão sonhado estádio? Parece que sim, vamos ver. Vamos ver o fim ou a diminuição das dívidas do clube? Teremos ainda categorias de base que alimentam ano após ano o time profissional? Vamos ter, enfim, um clube grande e forte que faz jus à maravilhosa e apaixonada torcida que possui? São muitas perguntas. Só o tempo dirá.
Por outro lado, conversei com diversos amigos estrangeiros, apaixonados por futebol, que viram Ronaldo nos seus times do coração. Eles, coincidentemente, disseram mais ou menos o seguinte: “O Ronaldo é um grande jogador quando ele quer ser. Quando se desestimula, para de jogar bola”. Mas o pior não foi isso. Foi ouvir um italiano e um espanhol dizerem o que o Ronaldo faz com os grupos de atletas dos quais participa. Segundo ambos, Ronaldo “estragou” grandes jogadores com a sua influência por onde quer que tenha passado. Bichou grupos, criou panelas de amigos e isolou inimigos. Me parece muito com o fim da passagem que vimos o R9 fazer no Corinthians. Jogadores indo bem dentro de campo e sendo barrados pelo treinador. Titulares fracos sendo mantidos. Todos eles, coincidentemente, amigos do atacante.
O Timão de fato tinha uma safra de jogadores muito bacana que saiu do clube por que apareceu uma “grande oportunidade” ou porque forçaram a própria saída. É só lembrar de: Douglas, André Santos, Cristian, Felipe, Elias, Jucilei, Roberto Carlos, Dentinho… E ainda devo ter esquecido alguém. Quase dá pra montar uma equipe com essa galera. E é um time bom, ein? Será que o clube ganhou o que merecia com essas transações? Acho que não. O fato é que boa parte do time que jogou com Ronaldo está de saída. Mais alguns vão ser convidados a se retirar agora, na mais recente reformulação do elenco. Sem a influência do R9, sem a antiga panela, o time vai melhorar? Ou vai piorar?
Diga você o que você acha. Ronaldo valeu a pena?


