Anote aí direitinho, se é que você já não o fez: Catito Ramirez, Manto Todo Poderoso número 14.
Se a gente deu um passinho pra frente na direção do título do Brasileirão, isto se deve a uma jogada em que ele foi se mandando pela esquerda do nosso ataque, rompeu toda a linha de defesa dosómi e tocou de chapa, tirando do goleiro. Gol consciente, de quem sabia o que estava fazendo.
Quem não assistiu, não se engane. Nesta reta final não dá para cair no conto do time ruim e do time bom. O jogo de hoje foi uma guerra. Falei com uns compadres cearenses e a coisa valia a vida pra eles, um passo fundamental para nós. O clima lá era caldeirão total.
Os cabeções começaram mandando, até porque já estão acostumados a jogar num campo de futebol de botão. Alguém mediu esta cancha? Parecia que tinha uns trinta jogadores de cada lado. Não dava nem pra soltar pum. Aliás, hoje não saía e não entrava nem pensamento. Foi o jogo do botão apertado.
No primeiro tempo, se baixasse um ET em Fortaleza e alguém explicasse o contexto, o visitante das galáxias acharia que o Corinthians jogava de preto e o Vovô de branco. Parecia que a gente beirava a lanterna e eles jogavam para ser campeões. A zaga batia cabeça, os alas não conseguiam segurar a descida das imensas caixolas. O tal do Osvaldo rodava de um lado pro outro, fazendo um pêndulo atrás dos volantes, deitando e rolando em cima de zagueiros e alas. Moleque joga bola.
Nesta primeira etapa, Ralf estava irreconhecível e pra compensar o Danilo estava exatamente daquele jeito que a gente conhece. No ataque vivíamos de lampejos de Sheik. E, acredite se quiser, o melhor do Timão na primeira etapa foi o Julio Cesar. Vamos resumir a história dos primeiros 45? O Timão não jogou lhufas.
Virando a página desta primeira etapa que só serviu pra dar dor de cabeça, os times mudaram de campo e aí o negócio começou a melhorar. Voltamos de Moraes no lugar de Liedson – achei que Rolando Lero acertou na mexida. Apesar do nanico combinar o pé descalibrado com um bom toque de bola, o Coringão conseguiu sair do cerco e ficar mais com a gorducha.
Quando o Professor resolveu, enfim, trocar Danilo por Ramirez eu me ajoelhei na frente de São Jorge e agradeci pela graça alcançada. Esta fica entre as dez partidas mais bisonhas que o Tropeço já fez com o Manto. Aliás teve um lance em que caí na gargalhada: a bola cruzada da esquerda, ele dentro da área foi dominar a bola e, qual um Souza, se atrapalhou com o próprio corpo. A bola bateu na cabeça e tirou o domínio que preparava com o pé. Coisa triste.
Pregados, os Seres de Imensa Cabeça foram recuando, recuando e aí botamos toda a pressão pra cima deles. Em nenhum momento foi um primor de partida. Mas é inegável que a Manada jogava com raça e com o coração.
Até que baixou a luz no Catito e o Mano 14 resolveu ser mais um xodó da República Popular do Corinthians. Depois de guardar, vibrou, bateu na camisa. Sabia o que significava aquilo para 30 milhões de apaixonados.
Depois disso, Pequeno Gafanhoto salvou a gente mais umas duas vezes e acho que a bola foi tirada de cima da nossa linha. Tive que virar de costas no lance, não guentei. Só sei que não entrou.
E assim, devagar, devagarinho, apertado mesmo, a gente faz festa e não pára de gritar:
Vai Corinthians!!!


