Todo mundo aí já deve ter assistido um filme, lido um livro ou pelo menos ouvido falar da história de Robert Stevenson, passada no final do século XIX em Londres, que responde pelo título aí de cima. Um sujeito é um médico todo fofinho, toma um xarope estranho e libera o seu “lado mal”. O que antes era Jackyll, o Dr Gente Boa, vira Hyde – um cara pra lá de escroto.
Igual que nem o Timão de hoje. Nosso primeiro tempo foi todo bacana. A maquininha funcionava perfeitamente. Quando falhava, até Pequeno Gafanhoto gastava, nos livrando de duas bolas com endereço fazendo ótimas defesas.
Na base do arrastão, chegamos logo no comecinho do primeiro tempo às redes da sardinhada. Emerson, sempre ele, puxou um ataque, tocou pra Alessandro – que estava no lugar errado na hora certa, o Guerreiro foi até a linha de fundo e cruzou errado. Um zagueiro deles tirou, mas Liedshow estava a postos. Matou com o pescoço e, antes da bola tocar o chão, largou a sapatada.
Festa na Casa do Povo.
Enquanto rolavam cenas explícitas de antropofagia marinha do outro lado do Estádio, a Fiel pulava e cantava a liderança.
E a blitz continuava, com o time gastando bola e abusando da sorte. Liedson acertou uma na trave, Alex arrancou vários “uuuuuuuuuhhhhhhhhh”s da Fiel, o time tocava o negócio pra frente.
O primeiro tempo começava a chamar o segundo quando numa bola levantada na área – vai tomar gol assim lá na casa do xibiu – resvalou as costas de Castan e foi parar no pé de um molusco. O fulano tocou no cantinho, longe dos braços de motorista de kombi do nosso amado carequinha. A bem da verdade, sem culpa do nosso número 1.
Gargamel, o técnico adversário, comemorava.
Mesmo empatada a partida, o Corinthians continuava tentando, arrumadinho, funcionando direito.
Vira o campo, e o time continua jogando mais ou menos a bola do primeiro – mas começa a dar o contra-ataque mole pro pessoal da Colônia de Férias. Numa destas, logo no comecinho da derradeira, o decodificador do espiritismo limpou Ramon, Ralf falhou na cobertura, Cástan marcou touca e o artilheiro do campeonato não perdoou.
Mesmo com a bagaça virada, a equipe continuava com boa base, dava pra buscar. Só que o Professor Rolando Lero é o xarope que o time toma para se transformar em Hyde. Ele tira o Ramon e põe… Weldinho. Ou seja, piora a situação e ainda queima um moleque bom que é este nosso ala direito. Depois, ainda põe Jorge Henrique (chega, não dá mais!) no lugar do Wiliam, que era um dos que mais levavam perigo ao gol deles.
Por fim, botou Danilo na vaga de Ralf.
Acho que o plano diabólico do Tite era perder de 7 a 1, só pra tirar nosso gostinho de gozar eternamente os praieiros.
Não deu certo porque eles tremeram ao ver a camisa Toda Poderosa do outro lado. Tudo isso, pasmem, com um jogador a mais, já que um moleque tonto deles conseguiu a proeza de fazer o Seneme tirar o amarelo duas vezes do bolso.
Pra encerrar, Alex assustou a Fiel depois de socar a cara no joelho dum lá e cair desmaiado. Foi uma cena feia, triste de ver.
Era dia de Hyde.
…
Contra a Turma do Panetone, o professor chega pendurado por um detalhe – a multa que vale R$ 5 milhões. Todo mundo já sabe que ele é gente boa, é um grande colaborador da Língua Portuguesa (já que inventa uns 10 neologismos por coletiva), mas é técnico para um Juventude, um São Paulo, um Flor de São João Clímaco.
Jamais para o Sport Club Corinthians Paulista.
…
Quando terminava de escrever aqui, era noticiada a recuperação de Alex. Sorte, cara. O BT deseja que fique tudo bem.




