Sabe aquela visita chata, que chega na sua casa, murcha o pé de avenca, fuma na sua sala, critica seu sofá, abre a porta da geladeira, troca de canal e aumenta o volume da TV?
Pois bem, o Timão chegou na casa dosómi mais ou menos assim. Com a mesma formação que sapecou os sulinos, foi se instalando em campo e dava trabalho quando chegava, mesmo com os anfitriões jogando melhor.
É verdade que o primeiro tempo inteiro ficou entre as intermediárias, mas chegamos duas vezes. Na primeira, RC rolou pro Bocão, que sapecou pra fora.
A segunda foi a suprema sacanagem do visitante chato: o mesmo Bocão recebeu de Elias, limpou Fabio Balada – como é bom vê-lo em outro time – e chutou no cantinho. O que faltou em força, sobrou na direção. Um a zero, em plena casa alheia.
É de se registrar que Nego Juça fazia uma partida ruim, uma raridade, que um dia teria de acontecer. E que Dentinho levou aquela fisgada que dói no finzinho da primeira etapa. Menezes mostrou que, em sua opinião, Defederico só joga se não tiver Dentinho ou Bruno César. Os três juntos é talento demais em campo. Com o Dentuço machucado, Matias foi pra ala ofensiva.
Voltamos meio desligados e logo no comecinho os caras empataram. Hermano Herrera chegou solando Nego Juça, que não espanou, como recomenda o manual do zagueiro eficaz. A bola sobrou pro Hermano, que bateu no canto. Aqui tenho que fazer uma pausa. Descobri que Felipe tem um compartimento secreto no dedo de fazer fuckyou. Funciona assim, ele aciona o mecanismo com um leve toque do dedão, abre uma tampinha na ponta do dedo do fuckyou e lá de dentro sai mais uns 15 centímetros de dedo. Foi com este truque que ele evitou o gol de Herrera.
Extasiada com a descoberta do dedo retrátil, a nossa defesa, liderada pelo Capitão, ficou literalmente boquiaberta, só olhando um chororô apanhar o rebote e empatar a partida.
Felipe levantou dando chilique, batendo as mão na perna e gritando que alguém tinha que ir no rebote, pô.
Minha leitura labial não chega a tanto, mas acho que a resposta de Wiliam foi:
- Caramba, o dedo do cara estica!
Passada a raiva, vi que osómi se animaram. Ensaiaram uma blitz, que logo virou nada. Matias, como um velho ponta-esquerda, limpou um deles, chegou na linha de fundo e cruzou paralela à linha do gol, para Ninguém chegar junto. A bola sobrou do outro lado e Nego Juça repetiu a operação. Ninguém mais uma vez perdeu o gol feito.
Mesmo jogando mal, a Manada resolveu virar. Com um problema: o começo da jogada. Com Bruno Cesar enfiado no meio da zaga alheia, a armação ficava a cabo de Paulo André, Capitão, Ralf e Elias – além dos chutões de Felipe. Foram uns trocentos saques de pingue pongue. Bola ia, bola voltava.
Tenho uma solução pra twittar pro mano Mano: divide o Bruno Cesar. O Bruno fica ali no meio de campo mesmo. O Cesar perto da área. É porque, com três gols, ele já é nosso artilheiro no Brasileirão. E o único com jeito pra armar o time.
Enquanto eu formulava piadas maravilhosas como essa, ganhamos uma falta pro Chicão bater. Sem ele no campo, houve assembléia. Metade do time ficou ali ensaiando para chutar. A outra foi pra dentro da área adversária. RC disparou duas vezes para dois rebotes. No segundo, Bruno bobeu, Ralf se desentendeu com a bola e o atacante deles e, de repente, tinham uns três dos caras contra dois nossos. O resultado foi que eles viraram, com o Passageiro da Agonia.
Tendo que jogar a bola que tinha faltado no resto do jogo, a Manada organizou um bumba meu boi nos últimos dez minutos. RC ainda empatou, mas o juiz deu uma falta de Iarley – que não deu pra ver se foi ou não. Na dúvida, não foi, porque o mais justo é sempre o mais Corinthiano.
Quando comecei a pensar, “pô, será que vou ter que escrever sobre uma derrota”, ganhamos um escanteio.
Matias cobrou de modo perfeito: era só chegar e resvalar a redonda – e não deu outra: Paulo André, cada vez mais séria ameaça ao Capitão, guardou.
Foi como se tivesse arrancado o controle remoto das mãos do dono da casa e colocado na Globo, anunciando enquanto levantava o volume:
- Tá no hora do Fautão, meu – passa a breja aí. Xi, tá quente. Pega outra na geladeira?
…
Olhando assim foi um pontinho bom, que nos preserva na ponta da tabela, surrupiado de um timezinho arrumado, em terreno adversário. E depois da Copa tem logo um tira-teima: encarar a galera da rapadura com farinha em pleno Castelão.
…
Um mês sem Corinthians é duro até em ano de Copa. Mas pode ser que até lá, mano Mano dê jeito e padrão para a Manada, se adaptando às mudanças que virão. Espero que as saídas sejam planejadas, não aquela operação biuzinéis do ano passado.
De vez em quando é bom vocês darem uma sapeada aqui – vamos ficar no plantão, prontos a jogar conversa fora sobre janela de transferência, treinos, estádio e estes assuntos centrais no rumo da humanidade.
Vai Corinthians!
