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Mano Carlão e Mano Parada me ligaram – e o jogo não tinha acabado. O negócio é que quando eles me ligam no meio de jogo, aí tem coisa. E a coisa, desta vez, foi uma vitória Corinthiana por excelência. De virada, aos 47 ponto 50 e tantos de um jogo que ia até os 48. Numa arrancada de Cristian, um dos heróis neste campeonato.
Mas as coisas começam do começo, então vamos a ele. Futebol é técnico, é esquema, é disciplina, é ânimo. Mas antes disso tudo, tem aquele detalhezinho: os boleiros. Quando eles não mandam bem, não tem gênio capaz de comandar um time em campo. Já quando eles resolvem jogar bola, não há o que os segure.
Elias abriu a defesa bambina e sentou a botina – tava aberto o caminho da vitória.
E a Manada entrou com fome. Tirando Dentinho e Alessandro, abaixo do que sabem jogar, o Maestro Canabrava, que oscilou entre a mediocridade e boas jogadas, e o Gordo, perigoso como sempre, todo mundo fez sua melhor partida no campeonato.
A bambinada foi conseguir passar do seu campo aos 15 minutos da etapa inicial. Antes disso, o Timão já tinha inaugurado o bate-estaca que funcionou durante toda partida. Teve até um lance bisonho em que o Gordo, invertendo papéis, deu uma chapuletada num zagueiro da turma da Vila Sonia.
Numa das raras aparições deles, no tempo preferido dos rapazes de lá – 24 minutos cravados – um deles jogou o Chicão quase no fosso do Pacaembu e cabeceou pra dentro. O Sem-Mãe podia ter anulado o gol, mas teria de marcar um pênalti infantil feito pelo Capitão, simultaneamente à falta no nosso zagueiro. Não deu pra Muralha, que fez umas duas defesas importantes, inclusive uma que foi resultado de uma bizarra falha dupla: Chicão e Alessandro.
Continuamos atacando com disciplina, embora sem muita precisão. Só que aos 28, Elias, que foi “O Cara”, falou pra Manada – Xá comigo! Limpou meio campo e apareceu na cara do Bambino Véio. De biquinho de chuteira, boltou abaixo o Pacaembu. A bagaça tava empatada. Depois disso o Profeta ainda salvou um gol em cima da linha.
O segundo tempo vinha com mais do mesmo. Aos cinco minutos do segundo tempo, a zaga inteira deles tava pendurada, já que paravam a Manada com um arsenal que incluía paulistinha, pancada, totozinho, puxão. Teve até um que tentou ter um filho com o André Seleção. Aos 10, Elias tomou uma bola, driblou um dos pendurados, levou um trombada, passou para Douglas, que tocou para o Gordo – quase que ele põe pra dentro. E o Sem-Mãe lembrou da trombada inicial, amarelou e vermelhou o pancadão deles.
Com um a mais, o Timão seguiu batendo estaca e perdendo gols. Era um tal de Uuuuuuuuuu! pra lá e Uuuuuuuuuuuuu! pra cá. E nada da danada entrar. O pessoal do Sportv já terminava a transmissão, só que esqueceram de combinar com o Cristian. Ele roubou a bola, foi chegando e soltou uma paulada de direita. O Bambinão Véio, que tinha tentado engolir peru de páscoa e defendido umas duas, não chegou nela.
Foi aí que o celular tocou. Primeiro mano Carlão. Depois, mano Parada. Eles nunca ligam em vão.
…
Além da Manada, a vitória hoje teve um toque do mano Mano. Ele botou o time pra jogar com fome, três atacantes e liberando o Elias pra colar no ataque. Teve que trocar o profeta no final, ouviu uns elogios da arquibancada, mas, hoje, foi perfeito.
…
A choradeira da turma da Vila Sonia depois foi linda de assistir. Era um culpando a falta do Gordo, era o cansaço por causa dum jogo no meio da semana, era a Fiel… a única coisa que esqueceram de dizer foi que em nenhum momento dominaram o jogo.
Domingo que vem tem a peleja no Panetone, que define quem vai pra final. Se o Timão tiver a mesma disposição, fica fácil repetir a dose. Vai ser difícil não chegar lá.



