Clique aqui pra ver os gols dos melhores em campo: RC, Danilo e Elias.
A gente tinha que ganhar este jogo, nem que fosse com gol contra, aos 48 do segundo tempo, com cruzamento do Iarley.
E começamos num embalo bom, animados com o fato de pegar um timinho safado depois das pedreiras Paulista e Grêmio Prudentino.
Também facilitava o fato do goleiro adversário ser um notório frangueiro.
Animada com tanta moleza, a Manada se mandou pra frente. Tirando um ou outro balão, o jeito preferido de chegar à defesa bambina era uma rápida troca de passes, que alternava Elias, Danilo, Juça, Gordo e RC. Moacir subia mas era pouco eficiente no apoio. Moleque dentuço chacoalhava o esqueleto pra todo lado e parecia que estava inspirado.
Depois do time sapecar duas bolas na trave, comecei a sofrer: pô, será que não vai entrar de novo?
O ponteiro não tinha chegado nos 20 do primeiro tempo e Dentinho começou a jogada pela esquerda, trouxe pra dentro, mandou no Gordo, que devolveu com açúcar para o Profeta, ele sapecou no ângulo: o goleirinho deles, definido por Milton Leite como um cara chato pra cacete, não chegou.
A Fiel dançava na chuva.
Continuamos dominando a bagaça, e, mesmo errando muitos passes, ganhamos uma parada ali na esquerda. Danilo tascou um arco perfeito da entrada da área: 2 a 0 na Turma do Panetone.
Achei que o Gordo seria expulso depois de uma jogada sem qualquer espírito esportivo, que feriu, inclusive, a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Caiu sentado em cima dum bambino, provocando o esmagamento do cervídeo. O juiz fez vista grossa a tamanha desumanidade e, para minha supresa, o tricolete sobreviveu.
Nervoso com o baile, o centroavante deles resolveu agredir o Dentinho, socando a cara no cotovelo do nosso Monico. Injustamente, o Sem-Mãe resolveu botar os dois pra tomar banho antes do fim do jogo.
Já me preparava pro pipi do intervalo quando a nossa avenida do lado direito premiou osómi (o termo se aplica a eles também?). Fomos pro vestiário com a vantagem mínima.
Voltamos do mesmo jeito, só que o treinador do Vale dos Cervídeos percebeu que a gente oferecia uma avenida ali do lado direito. Demorou uns 45 minutos, mas percebeu. E botou ali um rapaz que andou sendo oferecido ao PSJ. Fiquei receoso porque estes preteridos pela Toda Poderosa Camisa costumam ficar ofendidos e querer se vingar. Vejam o caso do Pelé…
Mas enquanto eu sofria por antecipação, o nome do jogo fazia o dele. RC, o Rei do Parque, bateu uma pedrada com força e efeito bem no lugar onde estava o dono da avícola da Vila Sonia. Não deu outra: 3 a 1 e a bambinada em polvorosa.
Relaxei no sofá e pensei: agora é curtir.
Ledo engano. Aí começava a novela “Da Arte de Entregar a Rapadura”.
Foram duas descidas deles pela Avenida Moacir. Duas faltas idiotas, uma de PA, outra do Tcheco. Duas falhas do Rafael Zureba. E um daqueles irritantes golpes de vista do Capitão enquanto a bola viaja até a cabeça do adversário.
Empatado um jogo que estava fácil.
E o relógio já ia se encaminhando pros 40.
Até que o professor tirou o Gordo, depois dele não conseguir dar um pique de 49 centímetros, e botou Iarley, o largo. Que, finalmente, botou sua largueza em proveito do alvinegro.
Limpou na esquerda e centrou para a cabeça de um centroavante que apareceu lá no Parque, um tal de Alex – o moleque chutou de cabeça, fulminante, sem chance para o frangueiro.
Mas não é fácil. É como diz o título ali de cima: empurrando elefante ladeira acima – e não estou falando do Fenômeno.
…
E agora cornetada? Do que é que a gente vai falar hoje?
…
Mano Ivo puxou minha orelha eu arrumo já: estamos fora do G4. Grêmio Prudente ganhou dos Portugas e pulou pra terceira colocação. Agora, Grêmio, Bambis, Nóis e Portugas brigamos por duas vagas. A Bambinada tem a combinação mais cabeluda de jogos: pegam Santo André e Botafogo. Nóis, duas babas: Ituano e Rio Claro. Grêmio encara Bragantino e Sancaetano. E os do Bigode vão de Rio Branco e Ituano. Sancaetano e Ponte ainda vêm correndo por fora.
Quer dizer, piscou, dançou. E nós, ainda dependemos de tropeços alheios.


