Em meio aos gritos ensandecidos, provocações juntos à Porcaria adversária (não inimiga…) e a emoção incontrolável de voltar a ser o campeão brasileiro, acabei tendo um importante insight.
Assisti ao jogo final do brasileiro num bar, cercado de 95% de Corinthianos Apostólicos Romanos e uns punhados de torcedores do Guarani da Turiassú, além de um único Bambi feliz imitando a dança da lacraia a cada lance de perigo. Em geral um pessoal gente fina, que via o jogo, torcia a favor ou contra, mas sabia que aquele era nosso dia. Uma rivalidade saudável e respeitosa. Admiro muito isso no futebol. Não precisamos de violência.
Sem falar nada sobre o jogo, me concentro no momento da explosão final. Segundos depois do apito final me percebo abraçando um completo estranho, emocionado como ele… O fato repetiu-se diversas vezes. Eram homens, mulheres, crianças, senhores de idade, todos abraçando-se fraternalmente. Independente de cor, raça, credo, condição social, nível de escolaridade, etc e tal. Todos unidos em um momento de genuína adoração contemplativa. Olhei ao meu redor e então tive o insight de que há apenas outro lugar que conheço onde semelhante comunhão acontece de forma tão natural: no final da missa de domingo, dentro da igreja.
Essa certeza veio de uma forma tão clara e me fez realizar toda verdade de ser corinthiano, toda a força que envolve essa gente e muito daquilo que insistentemente falamos sobre ser corinthiano e que só entende quem o é. Vejo o quanto é a mais pura verdade o que bradamos aos quatro cantos quando dizemos que ser Fiel é diferente. Essa verdade é um banho de água fria naqueles que não entendem o que é um amor incondicional, que está acima dos títulos e dos números.
Talvez o nosso Corinthians realmente seja mais do que um time de futebol, seja mais do que um hábito dominical. Quem sabe, ser corinthiano faz parte de uma certeza que nos une frente às incertezas, ao improvável e principalmente à devoção sem questionamentos. Conheço poucos religiosos que tenham a fé do torcedor corinthiano e por isso estou certo que de não é preciso convite aos nossos irmãos para a próxima comunhão, muito provavelmente na primeira rodada de 2012.
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