Por causa da imensa compreensão com infiéis – culpa do respeito absoluto que tenho à democracia – conheço um mala tricolete que passou a semana me enchendo os picuás.
Fui torturado sistematicamente com narrações de gols imaginários de Lucas, que antes da trairagem se chamava Marcelinho, homenagem ao pé de anjo. O resultado destes delírios do Mauricio – é o nome do cidadão-fruta – eram sempre placares elásticos para eles no jogo de hoje.
Por isso, quando cheguei ao Pacaembu e senti o clima da Fiel, tratei de começar a devolver o aluguel. Em dobro.
Pra começar, o chiqueirinho da meninada estava vazio. Nada anormal, mas é importante anotar estas coisas. Tentei, em vão, avisar ao Mauricio.
Se não estava lotada, a Casa do Povo encheu debaixo das nuvens negras deste típico domingão paulistano.
Embora não chegando a ser um clássico, por causa da inanição histórica do oponente, era jogo importante, valendo a briga pela ponta provisória do campeonato. Embate de seis pontos.
O Mauricio não atendeu, mandou a coitada da mãe explicar que estava dormindo. Acho que era medo de um novo vexame.
Bola rolando, água caindo, a equipe Falamuito mostrou parte do que a gente queria ver desde o começo do Campeonato: vontade e futebol, que se traduziram em domínio total do jogo.
Acuada, a meninada do Panetone assistia Tio Danilo, Paulinho, Wiliam, e principalmente, JH, ditarem o ritmo da coisa.
Na cobrança de um descanteio de Marrento, Danilo apareceu no segundo andar para botar pra dentro.
Festa na Casa do Povo.
Depois disso, foi covardia. Os tricoletes levaram de todo jeito: por cima, de lado, por baixo. Tudo sem reagir, coitadinhos.
Alguns lances de Danilo e Marrento também valeram o ingresso, com farta distribuição de lençóis e canetas.
Com intenção humanitária, eu tentava avisar o Mauricio, torpedeando o celular dele sobre o que se passava no Pacaembu. Talvez ele pudesse chamar a cavalaria.
A Meninada acabou recebendo a ajuda do juiz mesmo, que deve ter ficado com dó do vareio. Marcou uma falta capital do Alessandro que, pra mim, da arquibancada, foi em cima da linha ou até fora da área (vendo na TV depois, vi que foi mesmo).
A Casa do Povo esticava os braços e tremia as mãos, nosso tradicional dispositivo anti-zica. Não deu outra: o fulaninho deles isolou, jogando a bola lá na Doutor Arnaldo, pro delírio do Tobogã.
No segundo tempo, o professor Rolando Lero obedeceu a um telefonema do secretário-geral do ONU, que bradava pelo acordo de Genebra e a declaração Universal dos Direitos do Homem. Figura respeitosa, Tite acatou a ordem e mandou o time ficar naquele lenga-lenga que a gente conhece – mesmo com um a mais depois que JH humilhou para depois apanhar de um brucutu lá. Aliás, hoje, Jorge Henrique infernizou a vida da Turma da Vila Sônia.
Só a Fiel não obedeceu: cantou tudo o que tinha direito contra a meninada do chiqueirinho.
Já o Mauricio, não sei porquê, não atendeu meu telefone até agora.
Vai Corinthians!
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A Fiel pediu e Tite botou o Maestro Canabrava em campo. E não é que a alemãozada do sul devolveu nosso Maestro com um barrizilzinho de chopp, daqueles de cinco litros, acoplado à guisa de pança? O pessoal da nutrição vai ter que trancar o frigobar dele no CT também, se quiser o cara em forma logo.
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Mario Gobbi foi eleito no sábado para comandar o Timão pelos próximos anos. Pode entrar na história como o presidente do Estádio, junto com Andrés. A ele toda a sorte para levar a Nação Alvinegra ao seu devido lugar: o topo do futebol mundial.
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Fala, doente: gostou da lista?

