O compromisso desta tarde de domingo foi revelador. Mostrou duas coisas que vêm se desenhando há algumas rodadas.
Primeiro, entrou em campo o time da cartolada carioca. O Timão foi assaltado com direito até a pênalti não marcado – não vou falar em gol anulado porque o Braatz vai mostrando que é praticamente um olho biônico nesta história de bandeirar. É impressionante a precisão do sujeito, e o cumpadi Juça estava mesmo uns dedos à frente do último zagueiro na hora do lançamento. Mas a pancadaria impune da Manezada mais o escandoloso pênalti ignorado deram o tom do apito.
Segundo que o Timão, se não reforçar direito a equipe, sofrerá rapidamente de Brunodependência. Porque uma coisa é você ter um Bruno Tevez no elenco, coisa fina, e para poucos. Outra é ter como única opção de gol dentro de campo o nosso atual camisa 10.
O time até tem uma postura legal, vai pra cima, domina o jogo, tem posse de bola, mas… sofre para fazer aquilo que o pensador Parreira já definiu como o detalhe do futebol.
Quando pega uma turma encardida como essa do delegado – e esta ressalva tem que ser feita: hoje perdemos para um time que joga bem -, fica com poucas opções para chegar ao gol.
Precisa de um cadinho de sorte também, né? Porque o acidente de trabalho que resultou no segundo gol dosómi e a tirada de susto de uma sapatada do Mathias que pareceria bem endereçada ajudaram a decretar este trupicão.
Não fiquei brabo com a Manada nem com o professor Adilson Pança. Acho que foi normal, corremos atrás e por muito pouco não empatamos ou ganhamos essa.
E até das duas substituições do segundo tempo. RC não estava inspirado, o Capitão não precisa dizer nada e tinha que dar uma chacoalhada no ataque mesmo.
Só espero que esse papo de Guilherme não vingue. Pagar R$ 15 milhas num semi-matador… eu prefiro o genérico do Herrera que joga no Colo-Colo por 1 e meio.
Ah, sim, a “parte 1” do título é para ir marcando, daqui até o fim do campeonato, quantas garfadas vamos levar para deixar os bambis cariocas em posição mais confortável na tabela do Brasileirão.
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No meio da semana tentei escrever algo sobre o Fielzão, mas a pauleira do trabalho estava muito grande. Então teve que ser no domingão mesmo.
Um consenso vai se desenhando na diretoria sobre as quatro propostas de Fielzão que Sanchez tem na mesa. Vai ser em Itaquera. Esta semana, o presidente rompeu o silêncio e defendeu abertamente a construção da arena multi-uso no terreno do Timão em Itaquera numa entrevista ao Estadão.
Sanchez argumenta que o terreno já é do Corinthians, fica onde moram 4 milhões de manos, perto de grandes avenidas, ao lado do Metrô e na rota do aeroporto de Cumbica. Juntando tudo, estaria prontinho pra Copa.
Somando com outra informação, a de que a prefeitura pretende reformar o Pacaembu de qualquer jeito (R$ 300 milhões), a entrevista de Sanchez apaga o sonho de Rosemberg, que preferia o comodato com a Casa do Povo.
Também torna remota a construção do Piritubão e põe água fria na fervura do projeto que previa a construção do estádio na Zona Norte.
O projeto que a diretoria começa a defender tem um problema e um detalhe. O problema é que a região de Itaquera, para o marketing, é um mistério. Os consultores acham que não dá certo um grande centro de consumo perto de um bairro que ostenta índices de criminalidade alarmantes. Atribuo parte desta análise ao preconceito: dependendo do que acontecer pode até diminuir os problemas sociais da região. Há exemplos no mundo de equipamentos de cultura/esporte valorizando e remediando zonas consideradas inseguras. Porém, é preciso fazer um bom estudo de marketing para viabilizar a coisa.
Já o detalhezinho é dinheiro. Sanchez ainda não achou quem tope pagar a conta.


