Esta semana foram divulgados os balanços dos maiores clubes do país e apareceu o que todo mundo sabia: o Corinthians tem a maior arrecadação do Brasil.
Puxa a receita, de longe, a transmissão dos jogos (Em todos os clubes isso se repete). Foram 112 milhas pagas pela TV. Fruto da imensa audiência que os jogos do alvinegro têm – nesta semana a Globo bateu seu recorde no ano com a transmissão Timão x Emelecas.
Para mim, a surpresa veio com o segundo lugar: direitos federativos. Ou seja, venda de jogadores. Foram 59 milhões. O que derruba o argumento de alguns seguidores aqui do BT durante a semana, reclamando do fatiamento dos passes. Parece que a estratégia de vender muito e comprar muito, diminuindo o risco com mais sócios, dá certo no PSJ. É maior até do que a renda dos Bambinos, que adotam estratégia diferente na compra e venda.
Em terceiro vêm os patrocínios, 40 e tantos milhões, seguidos da renda dos jogos, 27, e do Fiel Torcedor, 12.
Esta dinheirama permite ao clube pagar alguns dos melhores salários do país e melhorar a estrutura do clube.
Acho que este é um avanço institucional, o tratamento profissional das receitas do clube. Não deveria mudar, seja qual for o presidente. Esta política deveria ir pro estatuto do clube.
Há poucos anos, o Corinthians arrecadava R$ 5 milhões em patrocínio, intermediados pela neta do Dualib. Dualib nunca mais.
…
Em festa de jacu nhambu não pia, mas vou meter o bedelho numa polêmica que envolveu esta semana o craquinho da Colonia de Férias.
O topetudo foi acusado, junto com Alexandre Pires e Mr. Catra, de racismo. A razão foi a participação num clipe da música Kong, que em determinado momento diz que o autor tem “fome de leão com pegada de gorila”.
No clipe, os três famosos vestidos de gorila do pescoço pra baixo se divertem no meio de um churras na beira da piscina, ladeados por mulheres-frutas.
Descontado o negócio hediondo que é a música e o clipe, que na minha opinião deveriam ser processados por sacanagem contra a MPB, o negócio tá rendendo.
Foi assunto de coluna do Nelson Motta e não escapou dos comentários do Sportv. Nos dois, o mesmo viés: racismo está na cabeça de quem viu o clipe.
Discordo. Se um negão viu o clipe e ficou ofendido, é racismo. Só quem pode avaliar se é ou não, é quem sofre o preconceito, desde pequenininho.
É muito fácil pra branquelada (incluindo eu) ficar definindo o que é ou não racismo, já que nós nunca estivemos na negra pele, cercados por uma sociedade hegemonicamente racista. Basta ligar a TV e zapear: somos branquelos na mídia, num país majoritariamente mestiço. Os estereótipos de beleza e feiúra são construídos com gestos como estes.
Se era uma piada, não teve muita graça.
É um pouco parecido com um episódio que vivemos aqui no bastidor do BT. Uma vez o Arthur, que faz o Blog da Mulambada lá no globo.com, e que só me chama de gambazão, sugeriu uma brincadeira: trocaríamos umas farpas sobre o clássico urubu x gambá. Mano Ganza vetou na hora. Disse que era um absurdo aceitar o apelido, vincado de preconceito. Recuei na hora. Se ofende um, ofende muitos, pensei.
E procê, doente?


