Uma camisa centenária, um matador a caminho da aposentadoria, um lateral esquerdo pai de oito filhos, e um atacante baixinho e veterano fizeram a festa na casa do Povo neste domingo.
De camisa nova a manada entrou em campo numa semana cheia de novidades. Uma delas era o Gordo de volta, em formato bovino. Mas sempre Ronaldo.
Bola correndo, eu entendi o significado da frase de Iarley: “eu e a rapaziada temos que correr no lugar do Ronaldo”. O bicho correu que nem um garoto de 17 anos, sufocou o que sobrava da defesa vitorina, já que dois zagueiros colaram no Gordo desde o momento em que ele entrou em campo.
Aqui um aparte. Ronaldo, o maior artilheiro de todos os tempos nas Copas do Mundo, que joga com a camisa 9 do Corinthians, deu alguns toques na bola para mostrar que gordo ou magro, triste ou feliz, em final de carreira ou não, joga mais do que 90% dos atacantes que atuam no futebol brasileiro, e não pode ser comparado aos moleques que frequentam nosso banco, como o Grandão que o rendeu no segundo tempo.
Voltando ao começo: sacando as nossas decidas pelas alas, o técnico dosómi congestionou o pedaço. Ele só não contava com um lançamento de 50 metros do Rei Roberto. A bola viajou e foi achar a enorme cabeça do diminuto ponteiro setentrional. E foi de cabeção que Iarley inaugurou o placar.
A maloqueirada em festa na Casa do Povo.
É preciso anotar que no primeiro tempo, o ataque movido a acarajé fazia uns contra-ataques na maior vula, explorando uma certa lentidão de PA, Paulinho e Nego Juça e umas falhas de marcação e cobertura do nosso lado esquerdo. Foi assim que um molequinho enjoado deles tirou tinta da trave e depois detonou o travessão que balança até o presente momento.
Teve também um pênalti de PA que o juiz não deu por uma questão de justiça, já que, por definição, não é justo apitar contra o Time do Povo.
No finzinho da primeira etapa, Alessandro deu uma de Bruno Tevez e veio fazendo a rapa desde o meio de campo, entregou com açúcar para Elias, que foi cortado por um defensor generoso. Bola no pé de Paulinho, que só empurrou pra dentro.
Campo virado, voltamos com mais Gordo pra Fiel. Aos 10 minutos Bruno Tevez desviou uma bola em velocidade e o goleirinho deles, bom arqueiro pra falar a verdade, rebateu. A bola voltou pra direita, alçada pra cabeça do Gordo que ajeitou pra Paulinho – a sapecada foi novamente defendida.
Tudo ia se ajeitando para mais uma semi-goleada quando Chicão se machucou, exigindo a estreia antecipada de Thiago Heleno. A zaga reserva ia se dando bem porque a volantada de qualidade do Timão garantia a defesa da cabeça da área e ainda puxava o esforço de ataque da Manada.
Postado um tiquinho mais à frente que Ralf, Paulinho se destacava nesta ligação com o ataque. A coisa ficou sinistra quando perdemos Paulinho, machucado, rendido por Boquita. Que continua o mesmo: muita vontade e pouco futebol.
Assim, com o motor baleado, fomos perdendo o meio campo para o osómi. Cumprindo a sina de Sem-Mãe, o juizinho marcou uma falta-fantasma de Thiago Heleno, que virou levantamento na área, que virou gol. Bobeira geral da defesa e um goleiro insuficientemente bom para ostentar a número 1 alvinegra.
Aí o jogo tranqüilo foi para o brejo e, na beirada dos 40, qualquer levantamento era motivo de catiça. Catiça que foi soberana: 2 a 1 para o Timão. Nada que atrapalhasse a festa dos vovôs, à beira do nosso centenário.
Mais três pontos e seguindo na cola do florido e fulgaz líder.
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A disputa política pela paternidade do Arena Fiel levou governador e prefeito de São Paulo a anteciparem o que já se desenhava nos bastidores: a Arena, se estiver de pé e garantir 65 mil espectadores confortavelmente sentados, pode receber o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014. No meio da semana falaremos mais disso, mas é bom que se diga: prefeito e governador foram derrotados por Lula e Andrés. Há um ano os dois trabalhavam arduamente pelo Morumbi para a abertura da Copa.
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Correção, em tempo: a camisa do centenário não csuta 300 paus como escrevi e foi divulgado em muitos lugares. Custa 189,90 – praticamente o preço de uma oficial comum.
Que camisa linda esta dos 100 anos, heim? Óbvio que não tô falando do preço, escorchantes 300 paus. Pra quem não sabe a história: ela leva o primeiro brasão com as letras C e P, de antes da marca desenhada pelo Rebolo. A cor bege homenageia a primeira versão do manto, cópia autêntica do inspirador Corinthians inglês. Como o esquadrão do povo só tinha um jogo de camisas, ele foi desbotando e só depois de muito alvejante virou branco e preto.
Depois de um monte de besteiras, a Nike acertou uma, com uma homenagem que tem a ver com a nossa história. Quer dizer, isso é minha opinião.
E você, o que achou da centenária, doente?

