Clique aqui para ver o vídeo do Mano Mano na preleção. Sensacional.
Rapaziada Fiel, a Terra voltou a girar em torno do Sol. Os postes já não fazem mais xixi nos cachorros. Os Infiéis voltaram a nos olhar com aquele misto de inveja e raiva. Enfim, o mundo voltou à normalidade, com o Todo Poderoso ganhando tudo, organizando a fila da freguesia.
O Timão é o Campeão 2009 da Copa São Paulo de Futebol Júniors.
O Timão é o Campeão Paulista de 2009.
O Timão é o Campeão da Copa do Brasil de 2009. Tri Campeão, com direto à vaga garantida na Libertadores, justo no ano do Centenário.
Para completar o ano, vamos em busca do Campeonato Brasileiro.
Mas antes de suar a camisa de novo com nossos heróis, vamos sentir o gostinho desta conquista. Ao jogo de ontem.
O Coitadão estava abarrotado de coitadinhos. Tirando 2 mil Fiéis que aguardavam o seu momento de mandar no Estádio.
A imprensa bambina se comprazia em mostrar o clima, prevendo uma pedreira inespugnável para os gigantes alvinegros.
Era o ônibus deles chegando, era fumaça vermelha, eram bandeiras, eram milhares de entrevistas com os desbotados falando da certeza da conquista. Era até o tal DVD. O clima, para a imprensa era mais importante que os onze contra os onze, que é, no fundo, onde se disputa a peleja.
E ela começou bem. Não me peçam prar lembrar tudo direitinho. Eu comia aquelas pelinhas que tem do lado da unha, sabe? Mas lembro que o André Seleção brilhou na hora do vamos ver. Armava, desarmava, chutava a gol, jogava para o time. Lembro do Cristian, incansável. Lembro do Felipe, Muralha nas horas mais necessárias. Lembro do Gordo se mexendo lentamente, mas dando passes precisos e arrastando a marcação. Lembro do Maestro Canabrava dando toquinhos pros lados, distribuindo o serviço, fazendo a bola correr. Lembro do Chicão e do Capitão, seguros, dando bica na hora que era o caso. Lembro do Alessandro, formiguinha. Lembro do Elias, marcando muito, apoiando. Lembro do Dentinho, sumido no ataque para, quem diria, dar o sangue na marcação. Lembro do comandante do barco, cerebral, pensando e apontando o caminho.
Mas lembro mais dum tampinha que, pra mim, é símbolo desta conquista. Jorge Henrique. Moleque que tem justo o nome do nosso Santo. Guerreiro que ganhou aqui no BT o apelido de Marrento. Jota Marrento. E como é que não seria?
Garoto com a cara deste Brasilzão que teima em resistir. Pobre, talvez “pardo” para um pesquisador do IBGE. Abandonado pela mãe, sem pai. Se fez homem pela solidariedade de uma tia. Moleque que deve ter prometido algumas vezes, nos dias mais duros, para si mesmo,
- “Deus é mais. Um dia eu chego lá.”
Ontem chegou. E tudo o que engoliu a seco na infância pobre, na vida dura, saiu em lágrima e emoção num estádio distante, de um canto do seu país que nem devia suspeitar existir quando era criança e batia uma bola em algum campinho da periferia de Recife.
Conseguiu dizer que sentia muita emoção. E arrastou para o meio do Beira Rio, tudo o que tinha na memória. A infância. os arrabaldes do Recife. O sonho de menino na peneira no Náutico. A tia que o criou. Arrastou também milhões e milhões de brasileiros, com um grito preso na garganta:
- Sou campeão!
