Há quem acredite piamente que o Flamengo nasceu para preparar alguns craques que, por razões geográficas, resolveram nascer longe do PSJ. Marcelinho Carioca, André Santos e o Fênomeno, para ficar em três nomes, já dão conta do recado de provar a tese.
Mesmo que o Gordo tenha desabrochado na porcada mineira, todos sabem de sua predileção antes de vestir a Fardamento Todo Poderoso. Depois que vestiu, é claro, enxergou a luz.
Mas o Mengo é assim uma espécie de Timão, só que com apoio dos poderosos da cartolagem – leia-se CBF e Globo, que ainda hoje transmite tudo quanto é jogo do rubro-negro para todo o país. A transmissão nacional é o anabolisante para evitar o nosso domínio inconteste. Seja contra um clássico como o desta semana, seja contra o Bangu, Botafogo e aquelas outras equipes da várzea carioca, a emissora dos Marinhos impõe o Mengo ao país.
Nóis é só nóis, largados na buraqueira.
Mas reconheço que há uma parecença quando emparelhamos a Fiel e a Magnética. Só que um chacoalha no trem da Central pra chegar ao Maraca, o outro vem de bumba à estação Itaquera e baldeia pra chegar à Barra Funda e terminar, a pé, o percurso que leva à Casa do Povo.
E por isso, além da amizade e do título conquistado no domingo, hoje uso o campo santo para mandar um salve para um infiel. O nome do fulano é Arthur Mulenberg, o escrevinhador do Urublog.
Bota fulano nisso.
Quando vou ao Rio, normalmente ralar e morrer de inveja daquelas ordas que enchem a praia no horário do nosso expediente, nem ligo mais pro Arthur. Ligar é a garantia de que ele vai me carregar pro Maraca, pro Remo na Lagoa, pra porrinha, pra qualquer coisa que o Flamengo estiver disputando. Reconheço humildemente, que ele é o papa na religião futebol. Tem que comer muito arroz com feijão pra discutir o esporte bretão com o sujeito. Eu nem tento mais. Ele é o PVC da ESPN na versão flamenguista, só que mais culto, sem a soberba e aquela voz de bebum.
O outro assunto, além da amizade, é que o Arthur avançou pelos caminhos extra-webs e acaba de publicar o Manual do Rubro-Negrismo Racional. Não vou ficar aqui rasgando seda, que isto é mais do feitio de bambinos e tricoletes – para ficar em dois adversários que nos espelham, cada qual em seu rincão.
Aqui o papo é reto, pra usar o palavreado do Arturzão Love, humilde autoapelido do cidadão.
O livro é sensacional. Para começar, basta trocar Flamengo por Corinthians e ele é um Fiel falando. Senão, vejamos:
“Tem certas coisas que não adianta a gente tentar mudar, porque as coisas que fazem parte da natureza do Timão (substituição minha). O fascínio pela adrenalina que só a beira do abismo produz, os saltos mortais na hora em que a água bate no queixo e a capacidade de se reiventar quantas vezes forem necessárias, são qualidades próprias do Timão (eu, de novo). Em verdade, são essas qualidades inortodoxas as maiores responsáveis pela nossa incomporável grandeza e magnitude. Só quem é Corinthians (eu) que sabe.”
Ou então:
“O anticorinthianismo (ó eu aqui) foi regado com a inveja e adubado com o preconceito social dos que lutam para que uma elite inculta mantenha seus privilégios indevidos. Muitos dos antipatizantes usam seus mandatos parlamentares como escada para se pendurar neste galho estéril e dali auferir vantagens inconfessas. Nem era preciso confessar nada, pois quem não tem escrúpulos em dexiar de fazer serviço pelo qual é regiamente pago pelos contribuintes para tentar atrapalhar o Corinthians (de novo) e sua torcida não merece mais do que o ostracismo que se reserva aos iníquos.”
Ele tá falando do Eurico ou do Anão da Vila Sonia? É igual que nem.
Quem gosta só de ler tem mais uma razão para morrer com uma grana na livraria ou na web – além de ajudar a garantir o leitinho da Camila, da Emília e da meia dúzia de cachorros de rua que ele levou pra casa: o Arthur escreve bem pra cacete. E bate no liquidificador o acervo da Biblioteca Nacional com cultura de botequim.
Tá certo que a crônica esportiva é um deserto de ideias e textos, mas ele brilharia até duelando com um Nelson Rodrigues, para ficar num tricolete emperdernido – e gênio das palavras.
Valeu Arthur, valeu irmão: mande o nosso “Salve!” pra galera rubro-negra.





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17 comentários
Duca, Edsão.
O cara é bão mesmo. Eu já li algumas coisas dele lá no Blog do Torcedor da Grobo.
Parabéns pro homi.
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Meldels….outro paga pau de flamerdista é f*.
Cara…ele pode escrever bem para as nega dele, mas chamar nosso manto sagrado de pano de chão, vou dizer mais uma vez NUNCA, nem por brincadeira, nem para provar que ele admira a nossa torcida.
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Bruna F. C. Respondido em dezembro 8th, 2009 16:43:
Óia…carma ae maninha… o mano Edson disse que ele escreve bem e entende de futebol, não que tem bom gosto!
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Suri Respondido em dezembro 9th, 2009 5:55:
Muito bem observado Bruna!
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Marlene Alves Respondido em dezembro 28th, 2009 18:13:
Bruna, a questão não é de intolerância para com as outras pessoas, eu estava enfurecida porque esse autor fez comentários em um blog para a torcida corinthiana sobre a Torcida Corinthiana na Maracanã em 1976 que ultrapassaram o meu limite de considerar falta de respeito, admiro pessoas inteligentes, mas admiro mais pessoas que respeitam os outros.
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Ricardo Elias Respondido em dezembro 8th, 2009 23:37:
Maninha… no futebol cada um defende o seu. Mas penso que independente da bandeira que o cara levanta, agente precisa primeiro ouvir o que eles tem a dizer para depois pode rebater.
Existe uma técnica muita avançada chamada “ouvir”, que consiste em ouvir, simplesmente ouvir (prestando atenção no que está sendo dito no nosso caso escrito). Depois analisar e relevar seus argumentos prós e contras, mas me parece que vc pulou a parte do ouvir e foi direto pra argumentação.
Não vi o Mano Baratão “paga pau” ou desonrar nosso manto.
Eu particularmente leio o Arthur, o Galluzzi e as vezes dou uma passada pra dar uma Cornetada no Perrone e no Matheus Reck.
Sabe prestar atenção na informação, absorver a informação e depois argumentar… nessa ordem kkkk
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Marlene Alves Respondido em dezembro 28th, 2009 18:09:
Quando eu escrevi esse comentário eu estava enfurecida devido a um comentário que esse autor carioca fez sobre nossa ida histórica ao Maracanã em 1976, ele desmereceu nossa torcida nos impingindo uma série de preconceitos e argumentos irônicos e sarcásticos que me fizeram a crer que, em primeiro lugar vem minha paixão pelo Corinthians e o respeito a nossa torcida. Daí admirar a inteligência dele é muito superior sabe, mas cansei disso…ele, o autor carioca, pode ser muito inteligente, mas ainda quero respeito com a nossa torcida.
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hehehe! Isso ai Mano Edson, Ele manda bem mesmo!
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Que é isso, Edson!!: Pô, Gambazão, tenha compaixão do meu pobre coração já tão baleado de flamenguismo. Passei mal com sua letra, fiquei mesmo muito emocionado. Muito obrigado pelos cumprimentos merecidos e pelos elogios exagerados. Tu é irmão pra caramba, boa sorte pra voce e pro teu time (fora da Liberta, logico).
Abração de Hexa
srn
arthur
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Arthurzão, tá certo que tu é bão mermo nessa parada de botar as letras nos lugar certo delas, mas não adianta ficar todo prosa com esse “penta quase hexa” de vocês, fazendo de conta que não percebeu que todos os homens de preto escreveram que o caneco TINHA que ir pra vocês. Não é porque a Globo olha pro lado e assobia quando vocês são ajudados dentro e fora das linha do gramado que você tem que fazer a mesma coisa. Mas entendo a euforia, porque já ficamos também um bom tempo sem caneco e aí tem que comemorar, mermo.
Até porque, todo framenguino gente boa como você esconde no peito um verdadeiro corinthiano, mesmo que não saiba. Abraço, brodi.
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Bruna F. C. Respondido em dezembro 9th, 2009 8:43:
Isso ae mano Ganzza..a entrega desse caneco foi profetizada! O Fiuza escreveu um texto bacana sobre..
“Bola na meia
ter, 08/12/09por gmfiuza
A imprensa tem tido um trabalho danado para lustrar o título do Flamengo. Dentre os bordões repetidos, aparece até a pérola de que “o Grêmio foi valente” no jogo decisivo.
Como diria John Lennon, just gimme some truth (dêem-me só um pouco de verdade).
Numa das páginas mais negras do futebol brasileiro, o Grêmio construiu seu roteiro de derrota verossímil. Tinha que perder o jogo para não dar o título ao rival Internacional. O Brasil ficou refém do campeonato particular dos gaúchos.
Entrou em campo com o time reserva, deliberadamente instruído para perder o jogo e aparentar dignidade. Um paradoxo mais complicado do que a honradez do governo Arruda.
Mas o Flamengo entrou em campo paralisado. Como sempre acontece com o dono da maior torcida e da maior empáfia do país, a festa estava pronta antes da batalha. Bastava desfilar o oba-oba e esperar a taça. Aí a bola acabou entrando no gol errado.
Daí em diante, os garotos gremistas ficaram aturdidos. Não podiam simplesmente parar em campo, mas o adversário (o campeão, no script) não fazia a sua parte. O juiz diligente fez a sua, ignorando o empurrão pornográfico de Adriano no seu marcador. Um a um.
O Grêmio tinha que jogar com garra, para não esculhambar sua tradição, e tinha que perder, para não apanhar na volta a Porto Alegre. Veio então o alívio com o segundo gol rubro-negro. E a instrução, flagrada na leitura labial, para que os gremistas não mais chutassem em gol. Um vexame.
Em pleno jogo, o imperador Adriano e um plebeu adversário batiam papo com a mão sobre a boca para não dar bandeira. Num chute tolo do ataque gremista, a bola cismou de se oferecer diante do gol para outro ator, que exibiu toda sua veia cômica dando uma canelada para fora.
O Flamengo merecia ser o campeão, mas não dessa maneira. Um final de campeonato como esse desmoraliza o próprio futebol.
Os profetas da virtude apregoam a fórmula atual de disputa, por pontos corridos, como a apoteose do mérito. Mais uma verdade alquebrada.
O Brasil, como sempre colonizado, imita os europeus e se contenta com a emoção paraguaia dessa última rodada, com os melhores times do campeonato enfrentando adversários liquidados ou desistentes. Uma apoteose vagabunda.
Os pontos corridos (soma dos enfrentamentos entre todos os clubes, sem eliminação) são um ótimo critério para apontar os quatro melhores, ou os dois melhores, como se queira. Mas a falta do confronto direto entre eles, ao final de tudo, corrompe o critério supostamente virtuoso.
Flamengo, Internacional, São Paulo e Palmeiras chegaram à última rodada separados por apenas dois pontos, em mais de 60 conquistados. Ou seja: embolados, nivelados como os melhores. Era a hora do quadrangular decisivo, dando vantagem de empate aos que pontuaram mais.
Nos jogos verdadeiramente decisivos, não há teatro possível. E aquele pontinho arrancado do Santo André ou de algum time de aluguel do Luiz Estevão seis meses antes não vai decidir campeonato nenhum. Só os jogos decisivos, entre os melhores, são realmente capazes de exigir a máxima performance de um time.
Essa conversa carola de que “todos os jogos são decisivos”, e de que os pontos corridos do início ao fim “premiam o trabalho”, é a mais bem intencionada das fraudes. Futebol não é caderneta de poupança. Boa parte dos times se desmotiva ao longo de um campeonato imenso, arrastado e chato. A virtude passa a ser a resistência ao tédio. Uma equivocada aferição de mérito.
Sem finais, o campeonato brasileiro continuará sujeito às malas brancas e aos jogos de um time só. Por que não confrontar os melhores no final, em jogos valendo tudo ou nada?
Os profetas da virtude vão acabar transformando o futebol em laboratório de análises clínicas.”
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O cara escreve bem mesmo…quem curte futebol e humor ateh se diverte no blog infiel dele =P
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Odeio o Flamerda
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Ricardo Elias Respondido em dezembro 8th, 2009 23:40:
um coisa é não gostar do time, otro é não gostar de uma pessoa pq ela torce pra determinado time.
Aposto que deve ter amigos(as) bambinos ou suinos.
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Que legal que você escreveu isso. Acho o Urublog uma das leituras mais divertidas que existem na internet. Coisa de quem entende do assunto e sabe que o futebol é o terreno privilegiado da zoação sadia e inteligente. É o único blog de time adversário que eu frequento. Um salve pro mano Arthur, que eu não conheço mas admiro.
Mas é bom que ele comece a preparar o discurso da derrota. O menguinho que se habilite a cruzar o Timão na Libertadores…
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Vcs em Sampa se livraram dos bambis e porcos na final, mas nao sabem o que é ver tv aqui na casa da Globo – só da flamengo, porrrrrrrrrraaaaaaa!
Tudo que é programa…24 hs…aliás a globo é quem fez o flamengo crescer no nordeste e no norte, porque faz trasmissao de qq jogo do flamengo em detrimento de outros clubes.
Porisso torço pra crescermos em torcida e ficarmos maior que os “framenguistas”, e ver se a globo dá um pouco de audiencia pro Timão, porque aqui no Rio é só badalação a esses tricolores, rubro, negro e branco(gostaria de saber porque usam calções brancos????).
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Saudações,
Leio quase todos os blogs dos infiéis na globo, o Artur é um dos que mandam bem com humor e “quase” nunca desmerece os adversários(+/-), mais tem gente boa por lá o cara do Sport (coitado só com muito bom humor mesmo), os do Inter e Gremio (como bons gauchos um tanto convencidos mais em matéria de educação e realismo estão muito a frente do resto da torcida e dirigentes, em especial o cara do Inter) até mesmo o maior ( ou único) Rival tem um Blogueiro aparentemente (nos textos) bacana. Mais digo isso por entender que só somos grandes porque temos adversários de respeito (quase grandes) e que com educação e entendimento todo mundo pode aproveitar o que a de melhor em torcer pro time do coração.
Poucos conseguem amar tanto o seu time como os corinthianos, este cara pode ser um dos poucos privilegiados, que só tiveram o azar de não ter conhecido o timão antes!
Abraço
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