Como estamos em uma semana de “entressafra”, resolvi continuar a minha saga cinematográfica. Não sei se vocês sabem, mas a Fox Filmes produz uma trilogia sobre o Timão: o primeiro trata do fim do jejum, em 1977; o segundo narra o Tetracampeonato Brasileiro (90/98/99/05) e o terceiro é sobre o Mundial de 2000.
Esse post é mais especificamente sobre o primeiro filme (aguardem que haverá partes II e III). Para filmá-lo já houve demonstração de mesquinhez do povo “daquele-time-que-tem-um-dirigente-com-nome-de-leite”.
O gol salvador de BasÃlio, que não era craque, mas é um legÃtimo herói alvinegro, foi feito em nossa segunda casa, afinal, lá nós mandamos.
E os “donos” dançam miudinho. Temos provas reiteradas disso, não é mesmo? Mas voltando da minha digressão, em 13 de outubro de 1977 BasÃlio, faltando menos de 10 minutos para o apito final, fez o gol que deu o tÃtulo de Campeão Paulista ao Timão depois de 22 anos, 9 meses e alguns dias (corrijam-me se eu estiver errada) sem vencê-lo. Nem de longe ele era dos mais badalados do elenco. Aliás, logo depois de ter sido contratado pelo Corinthians, em 1975, sofreu uma fratura e ficou algum tempo sem jogar.
Mas antes do jogo que definiria o campeão o técnico BasÃlio disse “você fará o gol do tÃtulo”. E fez. Com o pé que havia machucado. Incrivelmente predestinado e corinthiano (apesar de ”predestinado” e “corinthiano” ser quase uma redundância). E esse gol foi feito no Morumbi. Que, na época, acolhia muito mais pessoas do que atualmente. Até hoje é um dos maiores públicos do estádio, para desespero cervÃdeo, afinal de contas, contra números não há argumentos e para quem aprecia tanto a matemática…
Solicitaram o aluguel do ”Salão Para Festas Corinthianas” para filmar o gol.  Não liberaram. É isso mesmo, não houve autorização. A justificativa dada é que não exisitu “acordo” entre o marketing do dono do estádio e a produtora do filme. Que a oferta dada era “desproporcional” ao de um comercial feito com o jogador Ronaldo no mesmo recinto. Isso ocorreu no final de março. É fato que futebol, hoje, também é dinheiro.
Mas se existe algo “desproporcional” nessa história toda, é a comparação que referido dirigente fez. Em carta endereçada ao jornalista Juca Kfouri ele afirmou que não houve qualquer intenção de aumentar a animosidade criada com a limitação de ingressos em fevereiro deste ano. E que, apesar do conteúdo “emocional” que o gol de BasÃlio possui, o que importa é o “mercantil”. E o gol, ao que tudo indica, foi gravado na rua Javari, no estádio do Juventus. Para quem prega aos quatro cantos da imprensa que quer “melhorar” a relação entre os clubes, tal procedimento soa, no mÃnimo, incoerente. Um dono pode recusar o aluguel de sua propriedade. Ele não é obrigado a cedê-lo. Mas assim como no episódio dos ingressos, nem sempre o que é “legal” é “ético”. A oferta era de R$ 120.000,00 por dois dias de filmagens. E que para o comercial da cervejaria foram gastos, em menos de um um dia de utilização, R$ 90.000,00.
Será que é possÃvel comparar um comercial de cerveja com a demonstração de um gol antológico?




Posts relacionados
8 comentários
Rita, tudo isso fica mais grave ainda se lembrarmos que o Morumbi é aquele “particular” bem mandraque. Não pagaram um centavo pelo terreno, doado pelo poder público quando Laudo Natel, cartola deles, tinha grande poder – chegou a governador do Estado.
Laudo Natel foi o arrecadador de recursos “privados” para se fazer o estádio, ele era diretor do Bradesco. Na época se dizia que a cidade de São Paulo precisava de um estádio com capacidade para grandes torcidas – como o Rio tinha.
O tempo passou e essa história tb foi para o esquecimento. Ficou a inmpressão que o estádio foi erguido apenas com dinheiro privado.
Responder
Só mais um pouquinho sobre a construção do Lacraião: o terreno na verdade era em parte da Imobiliária Aricanduva, em parte do Governo.
O dono da Imobiliária era Adhemar de Barros, governador na época. Adhemar mandou o governo dar a maior parte do terreno do estádio e sua empresa dar outra parte. Vendeu 25 mil metros.
O São Paulo arrumou o dinheiro para comprar os 25 mil metros vendendo o Canindé que era um campo com algumas arquibancadas. Detalhe: o Canindé tinha sido doado 11 anos para eles.
A sequência da obra foi comandada por Laudo Natel, vice do Adhemar. Que encheu os cofres com a venda dos terrenos em volta do estádio.
Responder
Bruna F. C. Respondido em abril 26th, 2009 1:19:
E ainda enchem a boca para falar que têm um estádio..
Como corinthiana, me orgulho muito mais do meu time poder pagar p/ usar um estadio, do que ter ‘ganho’ um estadio do governo.
Responder
Ricardo Elias Respondido em abril 26th, 2009 11:20:
Mano Edson a equipe de marketing rosa escreveu uma carta ao Juca que vou colocar um trecho aqui.
“O São Paulo recebeu, há mais de 30 dias, consulta informal por parte da Bossa Nova Films, nossa parceira, em nome da produtora Canal Azul, solicitando a cessão do Estádio do Morumbi por algumas horas (no máximo 5) para gravação do produto em questão no seu campo de jogo.
O pedido foi prontamente atendido e imeditamente solicitado à referida empresa que formalizasse o mesmo, por escrito, para que fosse dado seguimento aos demais trâmites internos. Tal formalização aconteceu muito tempo depois e nos surpreendeu porque solicitava não apenas o campo, mas também outras instalações do Estádio, e por um prazo de 2 dias.
Assim, embora a solicitação anterior tivesse aprovação do clube, o novo pedido excedia em muito o tempo anterior de utilização do Estádio, que hoje, não por acaso, é grande fonte de renda para o São Paulo Futebol Clube. Para ilustrar essa afirmativa eu gostaria de informá-lo que no ano de 2009 o SPFC auferirá com receitas de locação apenas para filmes publictários e comerciais quantia superior a R$ 1 milhão.
Tendo em vista o caráter comercial da gravação, foi encaminhado, então, à Canal Azul, o orçamento para a locação do espaço. Ainda que o valor de tais imagens possa ser, para a torcida corintiana, emocional e histórico, é certo que o DVD configura-se em um produto comercial, e esperamos que o Corinthians obtenha, com ele, o mesmo sucesso e receitas que teve o São Paulo Futebol Clube com suas recentes produções. Assim, é dever do São Paulo – e daqueles que o dirigem – conduzir comercialmente uma negociação de caráter estritamente mercantil.
Não tendo a Canal Azul, então, entrado em acordo para o pagamento pelo uso do espaço, acredito que tenham procurado outra locação para a reconstituição pretendida.”
Responder
Nessas horas dah vontade de falar: ‘pega o panetone e enfia no #$@#@#$@#@$#@@$#@’
Responder
Como dizia Peter Parker
“Grandes poderes trazem grande responsabilidade”
talvez por ser mais popular do brasil sejamos tratados de maneira diferente que de outros times.
Acessem a imagem abaixo para entender:
http://blogdojuca.blog.uol.com.br/images/marcos_1_.jpg
Responder
A Verdadeira História do São Paulo F C
CapÃtulo I – Nasce o Clube
O São Paulo foi fundado em 1930 e faliu em 1935 por dÃvidas
acumuladas. Diante da enorme dÃvida, os dirigentes são-paulinos,
liderados por Paulo Machado de Carvalho, sugeriram a incorporação pelo
Clube de Regatas Tietê, que pagaria as dÃvidas e ficaria com o
patrimônio do clube, incluindo a Chácara da Floresta, vizinha ao C. R.
Tietê.
Alguns sócios se rebelaram contra a decisão, mas acabaram aprovando a
fusão em Assembléia (realizada em 14/01/1935), pois do contrário
teriam que assumir a dÃvida. Com a incorporação, a dÃvida foi paga
pelo Tietê.
CapÃtulo II – Renasce o Clube
No final de 1935, o atual São Paulo foi re-fundado sem dÃvidas, mas
também sem qualquer patrimônio. O time era tão fraco que, nos dois
primeiros anos (1936/37), terminou o Campeonato Paulista em 8º e 7º,
respectivamente.
CapÃtulo III – Re-Renasce o Clube
Novamente atolado em dÃvidas, fundiu-se ao C. A. Estudantes da Mooca
em 1938, salvando-se de nova falência. O novo time titular foi
composto com 9 atletas do Estudantes e 2 do São Paulo, que passou a
mandar seus jogos na Mooca, sede do Estudantes.
Para “ajudar” financeiramente o São Paulo, Palestra e Corinthians
disputaram, em 1938, o famoso “Jogo das Barricas”, assim chamado por
causa das barricas colocadas na entrada do Palestra Itália para o povo
depositar dinheiro. Os dois clubes nada receberam e ainda doaram a
renda para ajudar o São Paulo a pagar suas novas dÃvidas. Neste “Jogo
das Barricas”, PorfÃrio da Paz, Presidente do São Paulo, andou no meio
das torcidas adversárias com uma bandeira esticada, para que os
torcedores atirassem algumas moedas para ajudar o São Paulo.
Responder
CapÃtulo IV – A Tomada do Patrimônio Alheio
Em 1942, com apenas 7 anos de vida e sem patrimônio, os dirigentes
são-paulinos vislumbraram uma grande oportunidade. Com a entrada do
Brasil na II Guerra Mundial e a declaração de Guerra ao Eixo, o
Governo publicou um decreto que permitia a desapropriação de
patrimônios de súditos alemães, italianos e japoneses.
Após a desapropriação de bancos alemães e companhias aéreas, a
possibilidade de tomar o patrimônio dos italianos animou os
são-paulinos, que tentaram a todo custo se apropriar do Palestra
Itália. Não conseguindo tomar o atual Parque Antarctica, se
contentaram com um alvo mais fraco: a “Associação Alemã de Esportes”
(também conhecida como “Deustsch Sportive”), que ficava na região do
Canindé. Então, com a ajuda da ditadura, ganharam finalmente uma Sede
em 29/01/1944, registrando a escritura em Cartório de propriedade de
CÃcero Pompeu de Toledo.
CapÃtulo V – O Morumbi
Em dezembro de 1950, a Imobiliária Aricanduva (cujo dono era o Adhemar
de Barros), conseguiu empréstimo do Governo do Estado (o Governador
era o próprio Adhemar) para terraplanar e criar toda a infra-estrutura
em uma gleba na região do Morumbi. Um escândalo de corrupção na época.
O bairro, com todas as benfeitorias, passou a se chamar JARDIM LEONOR,
nome da esposa do Ademar de Barros. Um ano depois, em 1951, o São
Paulo convidou Laudo Natel (polÃtico ligado a Adhemar de Barros) para
ser tesoureiro do clube. Este negociou a compra de 68 mil m2 na região
e “ganhou” do Governo do Estado mais 90 mil m2.
Em 1955, três anos depois, o São Paulo VENDEU ao Governo do Estado o
terreno do Canindé (aquele que GANHOU 11 anos antes), sem qualquer
benfeitoria adicional. O Governo comprou e repassou à Portuguesa, que
se viu obrigada a construir campo e arquibancada par a começar a usar,
pois estava completamente abandonado.
Em 1966, em pleno regime de ditadura militar, Laudo Natel já havia se
tornado Presidente do São Paulo e, ao mesmo tempo, Governador do
Estado, quando o seu mentor, Adhemar de Barros, foi cassado por
corrupção.
O então Governador determinou que os estudantes da rede pública
vendessem carnês chamados “Paulistão”. O dinheiro arrecadado seria
para a formatura dos alunos, mas, parte da arrecadação serviu para
ajudar na construção do novo Estádio. Ou seja, em um perÃodo de
ditadura, da censura aos jornais, sem explicações sobre a origem do
dinheiro, sem um clube de associados que pudesse gerar receita, sem
rendas (pois jogava em estádios praticamente vazios), o SPFC construiu
um estádio que nem nos dias atuais (de direitos de TV, patrocÃnios,
venda de atletas) conseguiria construir…
Com medo de um vexame, o SPF C pediu emprestado 2 jogadores ao
Palmeiras (Julinho e Djalma Santos), 2 ao Corinthians (Almir e Ari) e
1 ao Santos (Pelé, contundido, não compareceu) para a festa de
inauguração do estádio, contra o Nacional do Uruguai.
Responder
Deixe seu comentário