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Rita disse em 17 de fevereiro de 2009 às 18:46

Eu não gosto de briga. Aliás, fujo delas o máximo que posso. Mas também não sou de levar desaforo prá casa, porque já engolimos muitos sapos na vida por obrigação. Então, quando o que está em jogo são outras coisas, como, por exemplo, diversão e nossos direitos, aí não deixo barato não. Por isso, apesar de estar com muita vontade de ir ao estádio no último domingo, fiquei em casa. Porque criaram muita celeuma. E no meio da confusão, mesmo sem querer, é possível (e provável) entrarmos no meio, até sem perceber. Como disse a Bruna, a arrogância bambi, a chuva, o espaço pequeno, a consciência de que não precisaria ser assim, já que havia vários espaços vazios, o cansaço, a pressa, tudo conspirou para um desfecho muito triste. E neste país as coisas acontecem assim o tempo inteiro nas mais diversas frentes. Era previsível que a bomba explodisse (desculpa o trocadilho), mas não se faz nada antes, só se alimenta a situação e, quando o negócio degringola começam a procurar culpados e a reclamar. E de novo, de novo e de novo. Ou seja, nada muda. Parece que as pessoas gostam desse tipo de coisa. Não sei como conseguem viver assim. É tão cansativo e desagradável! E como estamos falando de pessoas covardes, a responsabilidade sempre é do outro. Nunca é deles próprios, “que nada tem a ver com isso”. Ora essa, o mando não era deles? Então eles que cuidassem. Se o jogo fosse no Pacaembu com mando do Timão, todos falariam que se alguma coisa desse errado é porque “não planejaram direito”. Logo, são adeptos do “uma lei prá si e outra pros outros”. Esse tipo de atitude me dá ojeriza. Tá certo, tem uns caras que se aproveitaram da situação e sob a denominação de “torcedores”, resolveram apelar. Devemos lutar contra isso. Por outro lado, generalizar é perigoso.

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Tiago

Tiago Respondido em fevereiro 17th, 2009 22:57:

Parabéns, Rita. Excelente comentário.
Abraço.

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bruno disse em 17 de fevereiro de 2009 às 18:57

Ola Bruna, gosto muito dos seus textos, mas vou criticar o assunto de hoje: Vamo deixar os bambis e outros adversarios de lado e falar do timão. A não ser que seja pra comentar um jogo contra outra equipe.
Eles que se preocupem com a gente, como sempre fizeram. Nossa parte é torcer para o timão e o deles contra. Por isso o Corinthians é o Corinthians.

Concordo com relação ao estádio.

Abs.

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Bruna F. C.

Bruna F. C. Respondido em fevereiro 18th, 2009 9:31:

Eu pensei nisso quando fui escrever maninho, não gosto de dar impotância demais aos rivais. Mas nesse caso foi apenas para fazer um paralelo entre os comportamentos, e para mostrar um texto que li e achei legal compartilhar com o pessoal do BT. Sou totalmente contra a violência, mas uma das coisas que mais gosto no futebol é a rivalidade, principalmente as regionais, então, adoro provocação! ;)

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Ricardo disse em 17 de fevereiro de 2009 às 19:43

Parece haver em vários órgãos de imprensa a tentativa de se diluir a culpa pelo desastre prenunciado e ocorrido no Morumbi nesse domingo, através da enumeração de todos os responsáveis pelo ocorrido, sem a devida ponderação; quando não, pela completa inversão das parcelas de responsabilidade.

Apesar da cortina de fumaça fabricada, pode-se considerar a existência de unanimidade quanto a:

- a imperícia demonstrada na ação policial, após o término da partida;

- a omissão da FPF.

Resta delimitar o papel desempenhado pelos dois protagonistas, de fato, do episódio, que foram o São Paulo e o Corinthians. Vamos listar, destarte, as ações praticadas pelos clubes (bem como por suas torcidas):

SÃO PAULO (o mandante da partida – dado que não está sendo suficientemente considerado):

- anunciou, a poucos dias da realização do clássico, que, pela primeira vez na história, concederia apenas 10% dos ingressos para a venda da torcida corinthiana;

- o anúncio foi feito em tom debochado pelo presidente Juvenal Juvêncio, com o apoio dos sorrisos e gargalhadas de membros da diretoria;

- enviou os ingressos para venda no Parque São Jorge impressos em um rolo de bobina, sem o devido corte, e sem a devida numeração (o que obrigou que se realizasse uma troca, com o conseqüente atraso na efetiva disponibilização para venda, acarretando desrespeito ao limite mínimo de 72 horas, estabelecido pela legislação, em relação ao início da partida);

- divulgou nota de resposta à nota de repúdio corinthiana, utilizando a mesma retórica inflamada daquela;

- realizou obras no intento de equacionar o problema da entrada dos torcidas dos dois clubes pela única entrada disponível (a solução arquitetada, como se viu no desastroso desfecho, foi claramente equivocada);

- segundo a PM, uma bomba caseira – que teria sido o estopim do tumulto verificado – foi lançada do estacionamento interno do estádio (local de acesso exclusivo dos associados);

- não disponibilizou assistência médica aos torcedores feridos quando tentavam sair do estádio;

- o dirigente Marco Aurélio Cunha afirmou, ainda no estádio do Morumbi, quando havia dezenas de feridos no estádio, que o tumulto ocorrido comprovava o acerto da decisão sãopaulina de limitar os ingressos para os visitantes, e que lutaria para que a menos ingressos ainda (5%) fossem disponibilizados nos futuros clássicos;

- divulgou fotos, em seu site, das depredações praticadas pelos corinthianos no Morumbi.

CORINTHIANS:

- divulgou, em seu site, nota oficial de protesto pela decisão intempestiva do São Paulo de conceder apenas 10%, à torcida corinthiana, dos ingressos à venda; sublinhou que rompia-se, desse modo, um acordo tácito de décadas; atribuiu a decisão sãopaulina à suposta inveja, devida à grandeza da torcida corinthiana;

- anuncia que o clube adotará o mesmo critério de conceder apenas 10% dos ingressos ao clube visitante, bem como a intenção de passar a mandar os seus clássicos no Pacaembu;

- da carga de ingressos recebida, endereça aqueles de preço mais baixo (R$40,00), em sua totalidade, para as torcidas organizadas; os restantes (cerca de 35% da carga recebida, e ao preço de R$90,00) é que são, efetivamente, colocados à venda – em prazo inferior ao mínimo estabelecido pela legislação, devido às dificuldades advindas da troca que se fez necessária (cf. já exposto);

- após a vitória em eleição realizada no sábado, o presidente eleito Andrés Sanchez anuncia que, até o final de seu mandato (de 3 anos) o Corinthians não mais mandará partidas no Morumbi;

- no Morumbi, a torcida corinthiana quebrou cadeiras, uma separação de vidro blindado, e, durante o tumulto final, arremessou uma grade metal (não fixa) no estacionamento do estádio;

- o Corinthians divulga nota na qual se solidariza com os torcedores feridos, e critica o comportamento do São Paulo e a falta de segurança do Morumbi.

CONCLUSÃO:

O São Paulo, mandante da partida, anunciou, de modo intempestivo e inábil, o rompimento de uma prática de décadas, concedendo uma carga diminuta de ingressos para o Corinthians, dono da maior torcida da cidade de São Paulo. O Corinthians, pego de surpresa, como toda a sociedade, e vivendo uma semana pré-eleitoral, manifestou forte repúdio à decisão sãopaulina. Desencadeou-de, desse modo, uma espiral de acirramento de ânimos, que culminou no desastre após o término do clássico, para o qual foram determinantes a imperícia da PM e a insegurança do Morumbi.

O São Paulo foi o grande culpado pelo desastre ocorrido no último domingo, pois,

- era o mandante da partida;

- foi autor do ato que motivou a controvérsia;

- não exerceu de modo adequado a organização do evento, pecando ao criar clima de animosidade, ao não disponibilizar ingressos em condições de venda com a antecedência devida, ao não oferecer condições de segurança aos torcedores que acorreram ao seu estádio, e ao não prestar a devida assistência médica aos feridos no Morumbi.

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ricardoelias

Ricardo Elias Respondido em fevereiro 18th, 2009 0:36:

Fala Chará, mto bom comentário.

só entendo que a nossa idretoria tbm teve parcela de culpa nisso.

Se o Juvenal faz uma besteira, não podemos colocar os torcedores contra eles, todos nós aqui sabiamos qual seria o resultado dessa intriga entre torcedores no poder.

Mas concordo com o Andrés quando ele diz que não vamos mais usar o Panetone.

Se você vai ao supermercado e te atendem mal, você começa ir a outro supermercado. Simples!

vejo que é isso que o Andres fez.

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Elias Junior Respondido em fevereiro 18th, 2009 11:48:

Nossa diretoria também errou!

Era neste momento que teríamos a chance de mostrar que somos melhores em tudo, mas não… Nosso presidente (espero que sem querer) inflamou mais os ânimos.

Um público de 33 mil para as meninas é público recorde enquanto que para nós é nada mais que normal…

Estava esperando uma declaração do tipo: “Não vão ao estádio!. Estaremos sendo mal recebidos. Nossa nação é maior que isso. O Morumbi não tem condições de abrigar um jogo destes… etc”

Sairíamos por cima…

Pra mim uma tragédia anunciada.

Ah e aquele anão de jardim declarou que teve coragem de conversar com nossos torcedores cara a cara. Dúvido!! Ele não é homem para isso!

Dia 11/03 tá chegando… Estarei no Pacaembu para a estréia do maior goleador do Mundo em Copas.

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geise araújo Respondido em fevereiro 18th, 2009 14:56:

Concordo com o Mano Ricardo,ambos erraram tanto Juvenal quanto o presidente do timão,não se se querendo mostrar serviço para a torcida,só sei que o Juvenal jogou combustível e o Andrés acendeu o fósforo.
Sobrre esse assunto só tenho mais 1 coisa para dizer: chegaaaaa desse assunto,nós já demos audiência de maissssss para o adversárioooo,vamos nos preocupar e acompanhar o nosso timeeeeeeee que para mim é o que importa .
Vamos timãoooooooo !!!

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Rita Respondido em fevereiro 18th, 2009 17:41:

Por mais que queiramos ser imparciais, acredito que na maioria esmagadora das vezes deixamos (e deixaremos) a paixão clubística interferir. Isso também é futebol. Não adianta dizer que “tenho de ser racional”, “sei controlar minhas emoções” e outras coisas que o valham. Somos seres humanos. É claro que muitas vezes temos vontade de esganar um cidadão (seja onde for) mas nos contemos. Porque, além de humanos, somos pensantes. O que acredito que dá prá concluir de toda essa palhaçada é que os “poderosos” falaram grosso e quem pagou o pato foram os torcedores. Assim fica fácil, né? Existem horas que não dá prá embarcar na “criação de caso” alheia pois nós é que pagamos o pato. Outra conclusão: nós achamos que estamos certos, o povo da Vila Sônia se acha cheio de razão e a PM, então, nem tenho o que dizer. Não há como dizer que só uma parte tem responsabilidade, certo? Porém, olhando para os fatos, as declarações, tentando, inclusive, deixar a paixão de lado, vemos que alguém começou. E não fomos nós. Imagino se tivéssemos ficado quietos, se o resultado seria diferente. Não acho. E tem momentos que não podemos nos calar. Como disse o Ricardo Elias, se somos maltratados em um lugar, vamos a outro. Só que temos, sim, o direito de reclamar. Só que existem maneiras e maneiras…

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Bruna F. C. disse em 18 de fevereiro de 2009 às 9:38

Brincadeira é essa história de reservar apenas 5% da carga total de ingressos para os visitantes, ainda mais em clássicos, acaba com o espetáculo.

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Bruna F. C. disse em 18 de fevereiro de 2009 às 12:03

90 minutos de silêncio
Ter, 17/02/09
por Guilherme Fiuza

O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, está propondo clássicos de uma torcida só, contra a violência nos estádios. Deve funcionar. Mais seguro seria transferir os jogos para o YouTube.

Não há dúvida de que um São Paulo x Corinthians sem corintianos será muito mais tranqüilo. Se der certo mesmo, o modelo poderá ser exportado até para a Faixa de Gaza. Jerusalém se espelhará no Morumbi, e a paz triunfará.

Esse negócio de insistir na convivência de contrários é mesmo uma teimosia. Está na cara que não deu certo. Casais continuam dividindo o mesmo teto com suas naturezas opostas – e a vizinhança que agüente. Vamos botar ordem nessa bagunça: a partir de agora, maridos moram no bloco 1 e mulheres no bloco 2. A paz reinará no condomínio.

O futebol já deveria ter-se mirado no exemplo da política. No Fórum Social Mundial, por exemplo, se você não gosta do Hugo Chávez, nem te deixam entrar. Só participa quem tem bronca do Mcdonalds. É um show de civilidade.

Vamos ver onde essa escalada da virtude vai parar. Estão querendo proibir os fumódromos. Fumantes e não-fumantes só se encontrarão no infinito. Fumante corintiano e não-fumante sãopaulino não se encontrarão nem no infinito.

É um alívio. Chega de persistir no cruzamento de credos inconciliáveis. As pessoas não sabem se comportar mesmo. Aliás, já está mais do que na hora dos bares e boates criarem setores de ciumentos e não-ciumentos. Barraco nunca mais.

E se o Corinthians ganhar de três a zero no Morumbi, serão 90 minutos de silêncio. Descanse em paz, futebol brasileiro.

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Rita Respondido em fevereiro 18th, 2009 17:48:

Muito bom esse artigo. Fala-se tanto em “diversidade”, mas a nossa sociedade é intolerante e preconceituosa. Li uma coluna do Mauro Betting mais ou menos no mesmo sentido. E do Benjamin Back. As pessoas tem de agir feito robozinhos de produção em série, tudo igualzinho. Quem foi que determinou que tem de ser assim? Fala-se tanto em liberdade, que liberdade é essa onde não se pode colocar em um mesmo recinto duas torcidas diferentes? É futebol, não é guerra (acho que algumas guerras conseguem ser mais civilizadas… tá, exagerei na dose). E órgãos públicos alimentam esse tipo de coisa. Onde está a tão famigerada convivência? Ao invés de incentivá-la, fazem justamente o contrário. Daqui a pouco cada um de nós terá sua própria redoma…

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