Eis os verdadeiros culpados: os deuses do futebol!
Eles, que até já escreveram certo com pernas tortas, nos lançaram no abismo da série B para fazer valer uma velha máxima: a hora mais escura é também a mais próxima do amanhecer.
Quem ousa compreender os desígnios divinos? (Ainda) Não enlouqueci a este ponto. Sei apenas que pagamos um preço alto demais pelo pecado da má administração.
Descemos ao nono círculo do inferno do rebaixamento.
A Divina Comédia (comédia?!) nos ensina que são nesses círculos que se purgam os pecados. Nós, fiéis torcedores, purgamos todos eles, cometidos pelas asas negras e impunes de Dualib, Kia, Duprat, Cury e Berezovsky e tantos outros…
Já no primeiro círculo, purgamos o pecado da bandalheira.
No segundo e nos círculos seguintes, os pecados da omissão, da negligência, da lascividade, da incompetência, e tantos outros…
Sair desse precipício exigiu esforço demasiado de todos nós, fiéis torcedores.
Enfim, estamos de volta ao nosso devido lugar, com um título merecido, que leva a marca da dignidade e do comprometimento deste maravilhoso bando de loucos.
Só não há como negar o senso de justiça dos deuses do futebol. A partir do momento em que queimamos todos os desmandos no inferno da série B, fomos agraciados com a melhor campanha de todos os tempos, com a melhor defesa, com o maior número de pontos, de vitórias, de gols marcados…
Ascendemos ao paraíso!
E prontos para começar a galgar, em 2009, os nove céus – também descritos na Divina Comédia: o céu do Paulistão, o céu da série A, o céu da Copa do Brasil, o céu da Libertadores… Tudo por um “Céu de Brigadeiro” em 2010, ano do Centenário!
Para quem não crê nenhuma explicação é possível.
Para quem crê nenhuma explicação é necessária.
Valei-nos, São Jorge!!!�
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Periquito alvinegro
Sou um corintiano privilegiado. O histórico sábado, 8 de novembro de 2008, passei com minha irmã em São Paulo, no 8º andar de um edifício da rua Tenente Gellas, no Tatuapé, bem ao lado do clube mais amado do planeta. Lá embaixo, em uma daquelas casinhas com telhados desbotados pela poluição, um papagaio repetia sem parar o refrão do rei Roberto Carlos. “Eu voltei, agora pra ficar…” O meu cunhado, Ito, corintiano apostólico romano, explicou:
“No Tatuapé é assim: até os papagaios e os periquitos são alvinegros”.
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“Baba quando é nóis”
Na noite daquele sábado inesquecível, estivemos na Loja Saraiva do Shopping Penha. Muitos com a camisa da “Gaviões”. Perguntei aos dois atendentes do caixa se havia desconto para campeão. Um dos rapazolas olhou para o outro e tentou tirar o valor da nossa conquista: “Ser campeão da Série B é baba”. Ito, o cunhadão sangue bom, sem pestanejar, disparou contra o bambino:
“Baba quando é nóis. Quando são os outros é um Deus-nos-acuda, é Batalha dos Aflitos, é Tapetão, é Apito Pink…”
O atendente decidiu tirar 8 reais do livro de R$ 78. Ficou barato!





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2 comentários
Junradyr,que exemplo de fé! Sabe aquele velho ditado “os inocentes pagam pelos pecadores”? Dualib desmandou e sobrou prá nós.Só que o dito cujo,covarde como ele só,está no ostracismo (e que continue assim!), mas nós somos o motor da volta por cima.Existem situações na vida em que para alcançar o máximo conhecemos o mínimo… E como fiéis que somos,não fugimos de nosso destino,mesmo que ele não seja 100% agradável em 100% do tempo.E o futuro está aí… Ah, e claro, o papagaio alvinegro e a resposta do seu cunhado lá na Saraiva são aquelas histórias pitorescas que nos fazem sair na rua com um sorriso no rosto.Quem olha pensará que somos loucos (e somos mesmo! rs). E felizes.
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Um ótimo texto muito legal e uma resposta ótima para quem vem com esse papo de que segundona é fácil, valeu!
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