Esporadicamente abriremos o espaço sagrado no púlpito do BT para a expressão e testemunho dos infelizes e invejosos que, apesar de sofrerem da doença de caráter de torcerem pra outro time, ainda possuem esperança de cura, pois conseguiram vislumbrar, ao menos uma vez, a grandeza incomparável do Todo Poderoso Timão.
Hoje publicamos o testemunho do irmão Julinho, que recentemente obteve uma visão e teve seu coração tocado pelo espírito superior da Fiel Torcida.
Fala, infiel:
Vai ser Fiel assim lá na Série B
Quando o Corinthians desabou pra segundona, santista roxo, não perdoei a nenhum dos amigos. Que não me venham com onda e nem indulgência. Futebol é isso. Escárnio sem perdão e muito menos respeito.
Não perder, não ser rebaixado é uma circunstância extremamente aproveitável. Que o digam os nossos hermanos argentinos vizinhos, parceiros preferidos nessa troca de insultos irremediável e nem um pouco salutar, onde vale quase tudo (Quase o escambau. Com eles vale tudo mesmo). E isto, com direito a requintes de crueldade e imaginação. Quem duvidar que lembre os hoje combalidos uruguaios, responsáveis pela nossa desgraça maior nos gramados. A maioria de nós, que sequer viu o maracanaço, em 50, ri sofregamente até hoje a cada não classificação deles para uma copa.
E quem esquece os franceses nos check-ins do aeroporto Charles de Gaulle, depois da malfadada Copa de 1998? Aos brasileiros cabisbaixos e eternamente irrecuperados de inexplicáveis convulsões, funcionários fleumáticos das mais variadas graduações mostravam cartazes em letras garrafais: “Au Revoir Brezilien”. E lá voltamos nós, sonhando com a vingança, que veio em forma de outra traulitada inapelável de Zinedine Zidane e Cia.
Aqui dentro, no plano doméstico, a coisa fica mais saborosa ainda. A vítima está ao lado, trabalha na mesma sala, almoça na mesma mesa, é da mesma família e, muitas vezes, tem que nos encarar no domingão, durante a macarronada. Nos proporciona, enfim, momentos de prazer insubstituíveis.
A partir da queda do Corinthians, naquele ensolarado domingão, enquanto caia aos cântaros o pranto adversário, imaginava o ano que teria pela frente. O prato seria servido aos poucos, a cada final e meio de semana, conforme as rodadas rolassem. Agonia lenta o ano inteiro. Quase melhor que sexo.
Qual não foi a minha alegria quando fui escalado para trabalhar na reinauguração do Pacaembu, primeiro jogo do Corinthians pela segundona, contra o CRB de Alagoas. Seria testemunha ocular da desgraceira. Ia ver de perto todo o chororô. Lá mesmo, horas antes do jogo, pude ouvir de alguns torcedores mais graduados, aqueles das cativas e numeradas, que torceriam pelo vice-campeonato, pois odiariam colocar nas prateleiras do Parque São Jorge aquela vergonhosa taça de campeão da Série B.
No entanto, bastaram alguns minutos para perceber que aquela opinião canhestra e envergonhada não era compartilhada pelos lá de fora. A única voz que não teve uma vírgula a ver com toda aquela situação se derramava aos borbotões ao longo das arquibancadas e deixava claro o que queria: o título. Fosse ele qual fosse, o negócio era jogar pra ganhar e ganhar e ganhar. A Fiel se encheu de brios e lotou cada canto do estádio que ainda cheirava a tinta. E assim foi em todos os jogos seguintes.
Time rebaixado, endividado? Molezinha pra quem acorda às cinco horas da manhã e encara a marginal entregando prego, pizza e parafuso em cima de uma moto estropiada. Bater lá no fundo, se ferrar, perder emprego, correr atrás na chuva, no frio e no calor? Já é assim sempre, por que não ia ser agora? Perdeu levanta, mano. A casa caiu, faz outra.
E a cada dia, a cada vitória pequenina, lá pelos estádios mais acanhados e distantes, contra os times mais esquecidos, a festa se multiplicava e o dia crescia de tamanho. E nós, que esperávamos diversão garantida, acabamos por assistir, constrangidos, um trator de virtudes passar por cima de toda mesquinharia. Cegos e possuídos de orgulho, os torcedores do Coringão foram o show da segundona. Lotaram estádios, mudaram horário de transmissão, deram picos de audiência e, com isso, distribuíram renda (piada recorrente entre os corintianos à esquerda).
O futebol é uma brincadeira nossa, dos torcedores e é também a profissão dos dirigentes. Muitas vezes, no entanto, parece que a coisa se inverte. E nesses momentos eles brincam com as nossas paixões e tripudiam do cascalho suado que morre no ingresso. E a galera, por sua vez, administra o caos aos berros, comparece, enaltece, xinga e, quando dá certo, agradece como criança.
Nunca torci pra outro time que não fosse o meu. Mas ouvir a Fiel cantar “Ô, o Coringão voltou”, durante todos os 45 minutos do segundo tempo do jogo contra o Ceará, no mesmo Pacaembu onde tudo começou, não passou em vão. Acima de um grito de alegria e emoção, foi uma exigência irrevogável e repetida a cada dia. E que, no final das contas, por São Jorge, São Basílio e todos os orixás, foi atendida.
Só falta agora o título inédito na prateleira.
Julinho Bittencourt






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8 comentários
A serie especial até marcou o Corinthians…mas depois de nós, a série especial nunca vai ser a mesma!
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Espero nunca mais voltar…
Que a serie Especial receba os bambis de braços abertos…O time mais ajudado do Brasil.
E que nos disputemos finais contra os Porcos…ohhh saudade !!!
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Se ele nao for corinthiano la no funcionhu eu corto fora…rs
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Sabe quem vai apitar o jogo deste final de semana.
Ele…Alício Pena Junior, ..o mesmo que roubou o Timão na final da Copa do Brasil contra o IXPÓRT….
Será que devemos deixar barato…ou ele merece uma faixa..ou uma bela homenagem no Pacaembu…pelo que ele fez…destruindo nossas chances de libertadores ano que vem…acho que ele merece ser linxado ali mesmo…na porta do PACA.
Não sou adepto da violência…mas esse cara ta intalado na minha garganta e de milhões de corintianos pelo mundo afora…
Alguem fecha comigo?
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Que texto bacana! Existem infiéis que só precisam de um empurrãozinho para se tornarem fiíes, rs. Mas, falando sério, é muito bom quando lemos (ou ouvimos) torcedores de outros times que, apesar das brincadeiras e gozações, conseguem reconhecer a grandeza do adversário.
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Sobre essa grande paixão que é o Timão, não preciso dizer mais nada. Se uniram (torcidas rivais) para nos derrubar. Agora se rendem à falta que fizemos na Série A e ao amor incondicional ao time. Valeu galera….
Vocês já viram o que tá rolando na net? Sobre a novela da globo. É hilário…… vale a pena conferir. Segue o link.
http://br.youtube.com/watch?v=NfV16XBoHng
SAUDAÇÕES CORINTHIANAS AOS IRMÃOS CORINTHIANOS
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Boa, infiel…
Tratou com respeito esse espaço, então merece ser “ouvido”… rs
Não tem como se manter indiferente à torcida do Corinthians… E por ser assim que despertamos os mais diferentes sentimentos e opiniões daqueles que não torcem para o Todo Poderoso.
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Bem bolada essa seção “Fala, infiel!” Aliás, esta também é a minha opinião: ou se é fiel ou se é infiel. Afinal, só existe torcedor do Corinthians. Os outros torcem… contra. A imensa nação corinthiana torce pelo seu time. As outras torcidas, nanicas, torcem contra o Corinthians. O Julinho, por exemplo, é daqueles torcedores sensatos, que reconhece uma outra verdade universal: o Santos tem história, mas só o Corinthians tem torcida! Valeu, Julinho…
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